Myself
jeudi, octobre 31, 2002
 


"Os dicion�rios registram as palavras amorosas e omitem os ru�dos que as entremeiam ou substituem."



Carlos Drummond de Andrade


Em O Avesso das Coisas




O centenário de Drummond foi comemorado não só aqui no Brasil, mas também em Portugal, na Universidade de Lisboa, na sua Faculdade de Letras. No entanto, as comemorações começaram ano passado, sendo o ano de 2002 dedicado a esse singular poeta.
Ele que nasceu em 1902 em Minas Gerais e faleceu em 1987 deixou uma grande obra ... se de tudo fica um pouco, ele muito deixou..




 


Para que a gente escreve, se n�o � para juntar nossos pedacinhos?



mercredi, octobre 30, 2002
 


uma plan�cie sem cor.
sem vento
sombria
deserto quente que sufoca
frio que me rasga a pele
uma plan�cie distante
areia clara
vegetação esparsa
o nada
uma planície seca
regada
por lágrimas
derramadas



mardi, octobre 29, 2002
 


Brincando de esconde-esconde


Vou me procurar, se me achar, volto. É só isso.



lundi, octobre 28, 2002
 




Guardo seus beijos, poemas, romances, palavras, encantamentos, paisagens invis�veis, sil�ncios.
As palavras secaram no l�bio de vinho.
� uma dor que n�o merecia.
Todo o resto de repente ficou pequeno, min�sculo, confuso.


Vejo seu sorriso lento, m�gico, contagiante, apaixonado, meigo, quieto.
Escrevi mais nos momentos que precisava respirar fundo, absorvendo todo o ar poss�vel.


O meu amor � poesia.
Nos seus olhos vivos. Na sua boca perfeita.
Todas as palavras s�o os desejos de minha intimidade. A voz que p�ra. Os olhos que observam os detalhes. As palavras est�o dormindo no canto da boca. Os gestos. � essa a poesia inating�vel e indescrit�vel. A poesia que vive em mim. Poesia que � voc�.


Mas o corpo est� ausente. O gesto n�o est� aqui. Por enquanto.
Devem ser guardadas todas as minhas frases jogadas. Para voc�.




 


A verdade � que eu n�o estou com muita vontade de escrever.
N�o, nada aconteceu. Eu estou na minha rotina, e n�o estou reclamando, minha rotina est� �tima.
Estou com vontade de estudar, sair, namorar, ver as pessoas que gosto... n�o tenho muito o que escrever realmente.


A elei��o correu bem ontem, n�o houve confus�o, mas muitas urnas pifaram - e todas da minha zona eleitoral foram trocadas por novas urnas eletr�nicas.
Anita, sei que estou te devendo poemas, mas... acho que ficarei em d�vida durante algum tempo... :)


samedi, octobre 26, 2002
 


Sol
Praia
Calor
Mar
M�sica.

N�o quero outra vida.
Como � bom viver no Rio de Janeiro.


Agora estou com uma cor saud�vel!


jeudi, octobre 24, 2002
 


A �nsia travando o peito, o olho inundado.
E da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas ...


mardi, octobre 22, 2002
 

os movimentos

que se deitam

a poesia inesperada

palavra c�ustica

letras que fervem

o teu tempero

mergulhado em mim

devagar imprimo

o primeiro

olhar

mudo

sufocando

os gritos

sussurros

o sil�ncio louco

que penetra

completa

toma

matando os ru�dos

tirando a tua boca

apagando os restos dos dias

deixando

s�

voc�




... saudades ...



lundi, octobre 21, 2002
 



Eu preciso pegar sol.

Estou MUITO branca.

Eu quero ir � praia.

E vou.

E tenho dito.




Update: Meus planos de ir a praia todo s�bado de manh� est�o amea�ados. N�o acredito. Eu resolvi isso e chove aqui no Rio. Hoje ainda � ter�a, espero que melhore. Logo.


 


Uma pontada no peito.
Medo.
Inseguran�a.


acho que j� passou
t�o r�pido quanto chegou



samedi, octobre 19, 2002
 

Meu amor latente
pulsa
Impulsa
contra voc�


 


uma fus�o de corpos
de suor
de carne
de calor


a boca,
o tato,
o cheiro:
as impress�es digitais




a l�ngua do meu beijo
voc� � a tradu��o



 


Escrevo meus poemas
no rascunho da tua pele ...


 

Beijo
Teu beijo
No centro
Do teu desejo


vendredi, octobre 18, 2002
 
E a vida se encarrega
de transformar tudo
em raiva
Ou rima.

 
s�nteses
ant�teses
olhe por onde anda
pode ser meu cora��o


jeudi, octobre 17, 2002
 


Ao dormir, esmaguei minhas palavras.


 


Parece mais dif�cil n�o-ser que ser.


 


Engra�ado, recebi um e-mail falando que n�o falo de mim no meu Blog, que s� posto meus poemas.
Engana-se: cada v�rgula desses poemas tem uma Fernanda - uma que j� foi, uma que �.. e uma que quer ser tamb�m. Todas. Em cada palavra, cada ponto, cada espa�o deixado.
Ocupo cada negrito. Curvo-me a cada it�lico. Sim, e poucos notam onde cada uma delas se esconde (e se mostra). Talvez eu tenha me deixado esmagar pelas entrelinhas. Uma pena. Ou um b�lsamo.


OBS: E ironicamente minutos antes escrevi um post sem poemas ou versos. Um post s� falando como eu estou. Ou n�o estou. N�o estou para versos. Curioso. Ali�s, dois posts, se contarmos com esse.


 


Faz tempo que n�o me sinto assim.
Veio uma nuvenzinha, n�o sei de onde, n�o sei o porqu�.
� isso.
Mas acaba passando.
Enquanto isso, fico escutando Janis Joplin...






...I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby! ...




 

Palavras l�quidas, deleitosas, �speras

Obscenas

Palavras coladas � tua boca

Palavras que te sorvo

Palavras transfixiadas. Em mim




mercredi, octobre 16, 2002
 



A poesia
-� s� abrir os olhos e ver - voc�


mardi, octobre 15, 2002
 


M'ri Boyu le bela Boyu, bela Boyu le bel trendafil
Boya sedi le na mindero, na mindero le na ambaro
Potropaya le na vratite, slezni Boyu le otvorini
Nie ne sme le chuzdi lyudi, nie sme si le svoyi lyudi
Otvorila le bela Boya, vleznali sa le svoyi lyudi
Vleznali sa le svoyi lyudi, grabnali sa le bela Boya


Beautiful Boya, lovely as a white rose, was sitting on a bench in the barn. There was a knock at the door and a voice said, 'Let us in! We are not strangers, we are your people.' So Boya opened the door, and they came in and kidnapped her.


Canto folcl�rico da Bulg�ria.
Enviado pelo meu amigo odradeck.



samedi, octobre 12, 2002
 

... m�os que se tocam
olhos que se encontram ...


Arrepios
na nuca
na busca
no beijo

Beijo
silencioso
solto
disperso
aberto

Beijo cheio de saudades,
de alegrias e dores,
De bra�os cansados.

Beijo
que toma o f�lego
a for�a
que mata a sede
de cama cheia.

Beijo de querer
desejo
intenso
inteiro
integral
indescrit�vel
de tocar.

Beijo
Que embriaga
Que prende
Que acolhe
Que se solta...

Beijo sem boca,
De corpo. De m�os. De partes.
Beijo que ferve o sangue.

Beijo de brasa
que consome o fogo

Beijo
incandescente.







 

... Cheiro do arm�rio da minha v�, sua m�quina de costura e os retalhos jogados na cama, olho o guarda-roupa da minha m�e cheio de sapatos coloridos, sinto o cheiro do meu pai de manh� depois de fazer a barba e escuto minha m�e e tia Ana *pequena* conversando no corredor. Vejo meu av� nos mandando sair da piscina em dias de chuva, Renato caindo na piscina ao tentar ser o super homem, Aline pisando num ouri�o em B�zios. Lembro de Tia Sonia esperando Vit�ria ou Vin�cius, da Viviane aprendendo a ler e mais tarde da Vit�rinha pequenininha no seu batizado. Meu irm�o me ensinando a soltar pipa, eu jogando bola com os meninos, o Luizinho implicando comigo, me chamando de magrela. A claridade da lanterna vermelha do meu av� quando conseguimos queimar o fus�vel da casa ainda est� nos meus olhos...

Sinto cheiro de inf�ncia hoje.


Do fundo do ba� ...


jeudi, octobre 10, 2002
 


na pele
o rastro do teu afago.





nos l�bios
o calor de uma febre





nos olhos
tua imagem



o sorriso



a l�grima



os olhos fechados



o olhar atento





Peda�os




espa�os




repletos




de




voc�




mercredi, octobre 09, 2002
 



N�o era medo.


Nem vergonha.


Era algo.


Nervoso?


Uma sensa��o.


Algo. Sem designa��o


Uma parte satisfeita.


Inexprim�vel.


Indivis�vel.


Apagando palavras.


Arrepios em outros peda�os.


V�rios algos.


Seus olhos nos meus olhos.


O olhar que demora.


Que mora.


Em mim.



mardi, octobre 08, 2002
 




Roubada descaradamente do Pablo, do Eutrapelias.





Contra sentidos estabelecidos.


Eu quero a ruptura que transborda em vida.


O desabrochar.




 


Ando encontrando fragmentos de sonhos meus pela rua.
Mas n�o recolho nenhum deles. Deixo-os soltos.
Ando encontrando peda�os de pensamentos meus em mim.
E n�o sei de onde surgiram.
Ando me encontrando nos outros. Que ousadia a minha.
Ando encontrando l�grimas nos olhos. Saudades.
Ando encontrando risos e sorrisos. Ando encontrando �nsia e calma. Ando encontrando palavras e toques. Ando encontrando v�rios sentidos e sabores sortidos. Ando encontrando livros e m�sicas que lembram voc�.


Ando encontrando Eu e Tu. S� o N�s.


Isso tudo depois de encontrar voc�.


dimanche, octobre 06, 2002
 


Sou apenas mulher-que-escreve-o-que-pensa-ou-pensa-sentindo.


samedi, octobre 05, 2002
 



olhos observam outros olhos
m�os procuram outras m�os
dedos sentem no sil�ncio do pulso a veia
entrela�am-se
sangue toma nossos corpos
boca toca outra boca
fluidos trocados
mistura de peles
de gozos
de suor
de gostos
sabores picantes
vozes abafadas
sensa��es despertas
voc� em mim




 


�s vezes me mantinha em sil�ncio por longo tempo. Minha concentra��o era tanta que tinha a impress�o de que meus pensamentos iam se transformar em coisas vis�veis, palp�veis, com lugar determinado no tempo e espa�o.
Eu sabia que n�s somos aquilo que tem de acontecer..


 


Ainda escreverei. Sim, escreverei um livro. Ser� um livro grosso. Cheio de l�grimas, de amor, risos, de brilho - de voc�. Escreverei em homenagem aos nossos crimes. Aos nossos crimes inexplic�veis, aos nossos crimes de amor. N�o sei exatamente o que escrever. Da� a raz�o do meu fracasso ou do meu sucesso - no ato de desist�ncia desse poder saber.
O livro n�o dar� nome �s coisas, j� tocou o lugar escuro e vazio, antes da ordem e antes do nome. N�s seremos o livro.


 


� que nunca me lembrava de organizar minha alma em linguagem. Eu mesma n�o acreditava em falar - talvez com medo de, ao falar, eu pr�pria terminar por n�o reconhecer a mesa sobre a qual escrevo. Se agora falava era que n�o sabia para onde ia, nem sabia o que ia me acontecer, e isso me colocava no pr�prio cora��o da liberdade. Acabo cedendo, me vendo a uma frase que tem mais beleza que verdade.


vendredi, octobre 04, 2002
 



agora
tudo dorme
menos teu nome
menos minha fome
menos voc� em mim



mercredi, octobre 02, 2002
 




Tenho um (a)mar que nunca vi, cujo nome n�o conhe�o, que n�o imagino, que prefiro n�o inventar. Um (a)mar profundo, com seus momentos de ressaca e outros de calmaria. Um (a)mar l�mpido e com ondas, por vezes violentas, outras vezes, que s� fazem c�cegas. Um (a)mar no qual mergulhei e no qual quero me perder.
Meu olhar acompanha todas suas metamofoses.
Quero seu frescor, seu toque, seu despertar de sentidos, sua fome, sua sede de mim.
E, ent�o, tomo-o nas m�os e o escuto, e ele soa como um b�zio a me embalar.
Meu doce amar.




 


Uma parte de mim
� permanente:
outra parte
se sabe de repente.





mardi, octobre 01, 2002
 

Ou�a minhas palavras
e silencie minha voz


 


podem ficar com a realidade
fico com os contos de fadas



... ainda a s�rie poemetos ...


 



aqui
eu
s�

ali
voc�

aqui
pouco
de
mim

ali
voc�

aqui
pouco
de
mim
e

pe da �os

de

voc�

es

cor

ren

do

dentro de mim



 


Poemas
repletos de noites e madrugadas adentro...
Cheios de saudades..
Cheios de gozos..
Cheios de vontades..
Cheios de tato
Cheios de dias de vida ..

S�o meus poemas de amor ...





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