Myself
dimanche, juin 30, 2002
 


.:Carrousel:.

.Sandra Bierman.




Por n�o estarem distra�dos


Havia a lev�ssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se
sente a garganta um pouco seca e se v� que por admira��o se estava de boca
entreaberta: eles respiravam de antem�o o ar que estava � frente, e ter esta
sede era a pr�pria �gua deles.


Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar mat�ria
peso � lev�ssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de
carros e pessoas, �s vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede � a gra�a,
mas as �guas s�o uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da
�gua deles, a boca ficando um pouco mais seca de admira��o.
Como eles admiravam estarem juntos! At� que tudo se transformou em n�o. Tudo
se transformou em n�o quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Ent�o a
grande dan�a dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele
procurava e n�o via, ela n�o via que ele n�o vira, ela que, estava ali, no
entanto.


No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas,
e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo s�
porque tinham prestado aten��o, s� porque n�o estavam bastante distra�dos.
S� porque, de s�bito exigentes e duros, quiseram ter o que j� tinham. Tudo
porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram ent�o aprender que, n�o se estando distra�do, o telefone n�o toca, e �
preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone
finalmente toca, o deserto da espera j� cortou os fios.
Tudo, tudo por n�o estarem mais distra�dos.

Clarice Lispector


 


Nem sempre � necess�rio tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Ent�o, s�o l�grimas suaves, de uma tristeza leg�tima � qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos l�bios sente-se aquele gosto salgado, l�mpido, produto de nossa dor mais profunda ou da nossa alegria incontida.


 


Ent�o, eu vivi o que era para ser vivido.


 



National Archives/Corbis


Nos momentos de viol�ncia apertava os l�bios. Nos instantes de do�ura entreabria a boca, dando-se inteira. E suava, da testa escorria para o rosto o suor. De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de �gua, na verdade eu chorava...




vendredi, juin 28, 2002
 





"Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolates, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia est� contida nisso tudo."


Carlos Drummond de Andrade




 
reach for the sky >> Maxim Pometun

O seu amor
Ame-o e deixe-o
livre para amar


O seu amor
ame-o e deixe-o
ir aonde quiser


O seu amor
Ame-o e deixe-o
brincar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
correr
O seu amor
Ame-o e deixe-o
cansar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
dormir em paz


O seu amor
Ame-o e deixe-o
ser o que ele �.


(Coloquei esses versos, de novo, pq achei que essa imagem transmite o que eles querem dizer.)


 



 
Para M�rcia no seu anivers�rio:

O presente que te dou, Marcinha, � um amor. Amor � sempre artigo de luxo, mas este (eu garanto) n�o tem igual. � um amor, assim, discretinho, desses que n�o se anuncia muito por a�. Mas resistente feito ele s�! J� passou por brigas, ci�mes, diferen�as. J� provou suco de todos os sabores (at� os mais c�tricos), ch� (argh). J� sobreviveu a roupas iguais e namorados (e falta de namorados). J� enfrentou fantasmas. Pra voc� ver, este amor j� at� se afastou por tempos e continua insepar�vel. � um amor sem data de validade, o amor dos amigos. Pessoinhas que entram na nossa vida e que ser tornam especiais. Pessoas que amamos pelo que elas s�o. Nada as obriga a isso.
Estou falando de um amor king-size, daqueles que fazem a gente sonhar os mesmos sonhos. E um dos sonhos, M�rcia, era voc�. Uma amiga, uma irm� - a minha irm�zinha ca�ula que eu nunca, nunca vou ou poderia esquecer. Agora, sonho que voc� seja muito feliz. Sempre sempre e sempre.


Da sua amiga


F�


 



Olho para a menina amarelada. Ela sorri. Figura mi�da com cabelos castanhos. Ela me pertuba.
4 ou 5 anos, cabelos desgrenhados, segurando uma boneca. O vestido, curto demais e levantado pela barriga, mostra a calcinha. A postura, sempre a mesma - ombros para tr�s. O queixo enterrado no peito n�o tira a for�a do olhar, que � direto. A m�o segura firme a m�o da m�e. Parece decidida. Parece n�o ter medo de nada.


Mas tem.


Medo de soltar a outra m�o e ent�o lembrar que est� sozinha no universo das coisas. Medo de n�o estar segurando m�o nenhuma e ser tudo s� uma ilus�o - m�o, vida, c�mera fotogr�fica. Medo de estar sendo observada todo o tempo por um Deus multiolhos, olho do pai, olho da m�e, lente da c�mera, pessoas na rua - que ela n�o sabe quem s�o, mas tem certeza que sabem quem ela �.
A menina pensa em coisas como a vida um campo de provas. Jogo de um s� jogador, que � ela. (Quase tenho certeza que ela vai sonhar com isso a vida toda, incerta de cumplicidades que mantenham sua confian�a.) A menina sabe que est� sozinha, mas n�o quer saber: ser� esse o seu segredo? N�o querer saber. Ela deve acreditar. Acreditar apenas nela?
Olho de novo para fotografia j� gasta pelo tempo. Sinto amor por essa menina. Amor e receio.






Essa menina sou eu.




 
Que eu j� tive e n�o tenho mais:


medo do escuro
cole��o de selos
catapora
festa de 15 anos
dor de garganta todo m�s
uma bisav� viva
penfriends dos EUA, Inglaterra, China, Austr�lia, Fran�a, Alemanha, �frica do Sul e Portugal.
Di�rios (3, eu acho)
unhas ro�das
amores plat�nicos
que dividir quarto com meu irm�o.
medo de dirigir
um av� maravilhoso, mio nonno :D
todos os discos da Madonna
cabelo comprido
cabelo curto
crises existenciais bobas
uma tartaruga chamada Magali
um periquito (O qual n�o me lembro o nome)
algumas melhores amigas, agora tenho v�rios amigos e ponto. (Esse neg�cio de taxar um como "melhor" n�o d� certo.)
uma cal�a cor de laranja ( O_O Como que eu usava isso?)
vontade de ser ruiva (ainda bem que vontade � uma coisa que d� e passa)
uma caixinha de m�sica que tocava Fascina��o


alguma melancolia


 


N�o pensem que eu acredito por muito tempo nas coisas que escrevo.
J� quis muito ser a dona da verdade.
Hoje s� exercito desapego com os meus pensamentos.


Estou apenas repartindo meus devaneios.





 





jeudi, juin 27, 2002
 
Voc� acreditaria nisso?
"Eu soi uruguaio e quero conhocer gente do Brasil. Cual e tu nome?"


Por favor, fa�am um favor. Nunca abordem uma mo�a no ICQ
a) mentindo sobre a nacionalidade
b) perguntando se tem web cam
c) pedindo foto
d) chamando de gata


Pensando bem, n�o abordem ningu�m no ICQ assim. Obrigada pela colabora��o.

 


A monotonia � uma corda sem gra�a que as pessoas carregam no pr�prio pesco�o, como se fosse uma correntinha de ouro falso, met�fora de grilh�es desesperados. Esse estranho suic�dio gradativo � o mais fatal, porque permite a simula��o cotidiana refinada e est�pida de uma "vida" que j� n�o h�.



 


J� estaria morta se fosse apenas "normal". J� teria certamente sido assassinada pelas regras e pelas dores dessa horrorosa banalidade cotidiana. Teria cometido o mais estranho suic�dio poss�vel � ser comum.




 
H� dias em que me basta o sup�rfluo...
 
Um trecho do conto citado



Beijava-lhe a boca, o rosto, escondia o rosto em seu peito. Gostava tanto dela que queria v�-la feliz um minuto. "Quer casar comigo?" N�o me importava um pingo se desse certo, se durasse um m�s, um dia. Nem pensava que casamento seria chatice e que minha vida poderia estacionar com ele. Sentia apenas que Camila ficava contente. Ia ser na igreja, no civil, com padrinhos, alian�as. Via seus olhos brilharem e ficava contente tamb�m. Ela estava feliz. Duas horas feliz, tr�s dias, uma semana. Eu sentia que estava dando esta felicidade a ela; bastava isso. Depois podia vir mesmo uma vida inteira de desgra�a. Por�m, eu sei que n�o viria. Porque h� dentro de mim, sempre e mais e mais, a capacidade de amar muito, intensamente. Sempre odiei estes per�odos vagos e desesperantes em que fico seco por dentro.Prefiro a intranquilidade dessas grandes paix�es, a incerteza do que vai ser amanh�, porque assim minha vida se enche, mais e mais, e eu pulso, sinto sangue, musculos c�lulas, dor e alegria e choro e riso e prazer e outra vez dor, tudo misturado. N�o me sinto uma plan�cie sem cor.




Ign�cio de Loyola Brand�o - No conto "Camila numa semana"




 
Isso � o Para�so.
 




 
De tempos em tempos h� uma esp�cie de conflu�ncia de temas, que longe de se tornarem repetitivos, s�o nossa prova viva da diversidade, de olhar de muitos prismas o m�ltiplo que h�...

 
Aus�ncia


Por muito tempo achei que a aus�ncia � falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje n�o a lastimo.
N�o h� falta na aus�ncia.
A aus�ncia � um estar em mim.
E sinto-a, branca, t�o pegada, aconchegada nos meus bra�os,
que rio e dan�o e invento exclama��es alegres,
porque a aus�ncia assimilada,
ningu�m a rouba mais de mim.



Carlos Drummond de Andrade




mercredi, juin 26, 2002
 
��

 
According to the SelectSmart.com Belief System Selector, my #1 belief match is Nontheist.
What do you believe?
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Tenho que estudar franc�s hoje... tenho prova amanh� na Alian�a.. :o/
N�o estou com a menor vontade de estudar franc�s hoje .. mas .. fazer o q?
Hoje s� tenho aula (realmente terei?) �s 20:10, ainda estou pensando se vou ou n�o para a faculdade hoje...
Minha prova de Direito das Obriga��es, que seria sexta, foi cancelada. Acho que ser� semana que vem, n�o sei bem.
Fiz prova de Processo Civil segunda, cansativa, mas n�o foi dif�cil.

(Um post at�pico, n�o? )



mardi, juin 25, 2002
 
... o que me sustenta � saber que sempre fabricarei um deus � imagem do que eu precisar para dormir tranq�ila, e que os outros furtivamente fingir�o que estamos todos certos e que nada h� a fazer. Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa ...


 


"Meu Deus do c�u, n�o tenho nada a dizer. O som de minha m�quina � macio. Que � que eu posso escrever. Como recome�ar a anotar frases? A palavra � o meu meio de comunica��o. Eu s� poderia am�-la. Eu jogo com elas como se lan�am dados: acaso e fatalidade. A palavra � t�o forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra � uma id�ia. Cada palavra materializa o espirito. Quanto mais palavras eu conhe�o, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras at� se tornarem o mais fino inv�lucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o tra�o de um escultor � identific�vel por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - � por esconderem outras palavras. Qual � mesmo a palavra secreta? N�o sei � porque a ouso? N�o sei porque n�o ouso diz�-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que n�o pode e n�o deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto n�o � proibido. Mas acontece que eu quero � exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou ser�? Se eu encontrar essa palavra, s� a direi em boca fechada, para mim mesma, sen�o corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade.
Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras � que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente n�o h� palavras.
O que n�o sei dizer � mais importante do que o que eu digo.
Acho que o som da m�sica � imprescind�vel para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita s�o como a m�sica, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal tamb�m.
Sim, mas � a sorte �s vezes. Sempre quis atingir atrav�s da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranq�ilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras.
Meu livro melhor acontecer� quando eu de todo n�o escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial.
Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crep�sculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem."


Clarice Lispector


 
Tenho medo de escrever. � t�o perigoso. Quem tenta, sabe. Perigo de mexer no que est� oculto - a vida n�o est� � tona, est� escondida em suas ra�zes submersas em profundidade de mar..


 
"Me digam voc�s se existe algoz mais covarde que o pensamento?
N�o h� chance de defesa. N�o se pode prever chegada.
Ele n�o precisa de motivo. Ele n�o faz amea�as. Ele n�o tem hora marcada.
O pensamento n�o ataca pelas costa. O pensamento agride de dentro para fora.

O pensamento � o carrasco que criamos mas s� percebemos quando j� estamos dominados."


Retirado do Blog da Ana Paula Mangeon



 
A vastid�o do mundo parecia me acalmar, o sil�ncio regulava minha respira��o. A crueza do mundo era tranq�ila. A vida era periclitante.


 
Sempre tentei apaziguar a vida, cuidando para que esta n�o explodisse. E por um instante a vida sadia que levei at� agora pareceu um modo moralmente louco de viver.




Eu adormeci dentro de mim?


 
Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perec�vel... O mundo se tornara um mal-estar. Desvio o olhar. Ru�dos serenos. De onde vinha o meio sonho que me rodeava? Tudo era estranho. N�o estranho no sentido pejorativo, muito pelo contr�rio. Era? N�o, �. Suave demais. R�pido demais. Intenso. N�o era um acontecimento. �, definitivamente, o acontecimento.
lundi, juin 24, 2002
 
Desconfio que existe, dentro de mim, um escorrega por onde eu des�o, por vezes suavemente, outras tantas de cabe�a para baixo, em p� feito crian�a, gritando, brincando, de todo jeito, e que termina no embaralhar dessas frases. Tamb�m o meu desabafo desce r�pido nesse brinquedo e por desleixo caio. Tamb�m porque a voz, em certas ocasi�es, � insuficiente. Falta-me coragem. Poderia escrever um texto longo, xingar todos os que eu tenho vontade de xingar, extravasar minha raiva at� diluir o que me engasga, provocando l�grimas e mandar tudo pro inferno. Contudo, continuo calada, quietinha no teclar silencioso desse computador ... mando imprimir tudo em arial black fonte 30 e rasgo tudo em pedacinhos e torno a imprimir e rasgar, imprimir e rasgar, imprimir e rasgar. N�o fui criada como uma hero�na capaz de controlar todos os sentimentos. E � s� por isso que eu choro, por n�o ser uma hero�na. Ao deslizar por essas linhas h� um leve desaperto no cora��o, um al�vio talvez, mas n�o soluciona nada, eu sei. Mas escrever sempre vale um sorriso...

 
Bem, depois de algumas reclama��es ( �� ) e problemas no Weblogger, volto a escrever nesse blog.
Espero conseguir entender esse Template, caso n�o consiga vou RAPTAR algu�m para me ajudar com isso aqui.
 

Essa foto n�o � linda????????????
jeudi, juin 20, 2002
 
Novo endere�o do meu Blog.


Mudo o endere�o pq acho que � mais f�cil mexer com o outro e tal :D
S� isso :P


 

�s vezes o tempo gosta de repetir as mesmas hist�rias.
�s vezes ele se diverte, escrevendo novas linhas...
Novas.
Novas sensa��es.
Deixa quieta :p






 
Talvez a solid�o primordial seja produzida por tudo o que nos afasta da vida social, amorosa, profissional, de nossa originalidade �nica, ou seja, daquilo que s� cada um de n�s pode ser. Ent�o, o resultado � a solid�o de n�s mesmos. Com m�goa. Uma capacidade de sujei��o e de submiss�o aos padr�es, � m�dia e ao ressentimento.

 
Quando vejo as pessoas n�o conseguindo livrar-se da solid�o com m�goa e, ao mesmo tempo, sendo-lhes imposs�vel alcan�ar a solid�o sem m�goa, fico lembrando do quanto isso tamb�m � dif�cil para mim, embora tenha come�ado a viver mais solitariamente, cada vez com menos m�goa, e come�ado a encarar e enfrentar o que gera m�goa em minha solid�o particular.
 
"Quero escrever o borr�o vermelho de sangue
Quero escrever o borr�o vermelho de sangue
com as gotas e co�gulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que n�o me entendam
pouco-se-me-d�.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na viol�ncia
que sempre me povoou,
o grito �spero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
n�o dei.
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O cl�max de minha vida ser� a morte.
Quero escrever no��es
sem o uso abusivo da palavra.
S� me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder."

Clarice Lispector

#Escutando Natalie Imbruglia - Identify.mp3

 
"Uma vez irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma desta vez. O esp�rito, eu o terei entregue � fam�lia e aos amigos, com recomenda��es. N�o ser� dif�cil cuidar dele, exige pouco, �s vezes se alimenta com jornais mesmo. N�o ser� dif�cil lev�-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigar�: ser�o f�rias em outra paisagem, olhando atrav�s de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de c�o. De tigre, eu preferiria"...
Clarice Lispector

mercredi, juin 19, 2002
 
A gente precisa parar tudo �s vezes, at� pensamentos, palavras ou obras.
�s vezes � preciso ficar sem a��o, esperando.
O qu�?!


 




Greta Garbo


Estou s�, fechada na noite.
Atiro o copo longe e o ru�do estilha�ado me acalma.
Ele n�o est� e nunca esteve neste quarto..
Posso beber este e os outros bares do mundo. Ele n�o saber�.
Mas mesmo que me arrancassem os olhos eu sabia. Sabia que nunca o tive de verdade.. Presente. Realmente presente.
Sem pensar muito j� sentia a umidade dos seus cabelos ap�s o banho. Ainda n�o tinha notado como seus cabelos eram negros. Os olhos escuros. Pormenores.
Ajoelhei-me ao lado da cama e comecei a passar o pente em meus cabelos. Desenredar esse emaranhado de fios n�o faria com que eu parasse de pensar. Olhei para o rel�gio. Olhei para a porta. A obsess�o de acumular bens, os bens materiais e outros. Acumular amores. Quilos de ouro em p� antes de virarmos p�, mas sem aquele brilho. Objetos e orgamos m�ltiplos. E a morte como �nico fim.

#Escutando Elis Regina - Atr�s da Porta.mp3
 
*atchim*

(�. Essa pseudo virose acabou com a minha inspira��o.)
mardi, juin 18, 2002
 
N�o tenho nada com isso, digo a mim mesma. E sei que tenho.
De olhos fechados, tento abrir mais uma porta. E se tudo n�o passasse de um del�rio?
As alucina��es auditivas n�o seriam simples consequ�ncias dessa misteriosa febre interna que nenhum tem�metro poderia medir? Que palavra secreta eu poderia falar para silenciar o seu moinho interior? N�o fazia id�ia. Eram tantas perguntas que eu me fazia e com tamanha ansiedade.. perguntas essenciais (e sup�rfluas) que tinham ficado para tr�s... N�o sei se quero mais respostas ou explica��es... A paci�ncia em esperar pela hora prop�cia amadurecida no escuro. O encanto estava em circular com naturalidade sem levantar suspeita, o prazer estava nisso, em se expor se escondendo. Ousar a alegria proibida. Proibida?

 
Esse blog est� muito nonsense.
:p
Nota mental: Como o blog n�o tem vida pr�pria, eu devo estar muito nonsense.
Who cares?


 
Conspira��o de nuvens.
Nem sempre as nuvens se dispersam.
Caem as chuvas, espero uma tempestade.

 
Vive sem esperar pelo dia que vem, colhe hoje, desde j�, colhe as rosas da vida. Colha o dia.

Eu colhia as flores da manh� rapidamente, antes que viessem as ventanias e tempestades. Armava um enorme buqu�, mas sempre ocorria um imprevisto. Fugiam do meu controle as flores que foram murchando, as p�talas que foram caindo.. o arranjo se desarmou, perdeu o brilho e eu mesma, hein?




 
Abro a bolsa e a vida. Leva o que quiser, querido.

#Escutando Lisa Loeb - Stay (Acoustic).mp3
 
Desassossego. Resolvi ir falando o que me der vontade. N�o consigo colocar a cabe�a e o resto em ordem e n�o bebi uma gota de inquieta��o. Estou ansiosa hoje e nem sei o porqu�.

Deve ser o mal estar diante dessa *virose* . (Cada vez que escuto isso de um m�dico agrade�o por ter desistido dessa carreira e ter escolhido o Direito. Incompetentes. Vou ficar com meus leuc�citos :p)

#Escutando Anouk - nobody's wife.mp3
 
Por aqui, as coisas v�o seguindo seu curso dentro das bitolas, qualquer novidade e ser�o imediatamente avisados.
:op


#Escutando Charles Aznavour et Edith Piaf - Le Bleu De Tes Yeux.mp3

(Vai uma m�sica brega ae? )
 
Apaguem o �ltimo post, a minha revolta n�o dura nem 24hs.

(N�o vou apag�-lo mesmo pq Madonna rlz anyway)
 
Como estou entediada e cansada desse blog, vou ficar postando testes in�teis. whatever.





lundi, juin 17, 2002
 
Entro no quarto escuro. Vazio. N�o acendo a luz. Quero a escurid�o. A Surpresa. Trope�o no macio, desabo. Sempre que tenho que escolher me vem esta afli��o. Se a gente pudesse se organizar com o equil�brio das estrelas t�o exatas nas suas constela��es ... Mas parece que a gra�a est� na meia-luz. Turbul�ncias.
Come�o a me encolher. Ele levanta meu queixo, quer que fa�a cara alegre. Que mostre os dentes. Estou quase chorando quando descubro que n�o estou triste, mas com medo. Ro�ando as pontas dos dedos nas faces, imitando as l�grimas que pretendiam descer, nos olhamos. Ele me salva do meu pranto.
Milhares de explica��es n�o explicariam. Ele poderia gastar todas as palavras do mundo e n�o conseguiria.
O que interessa est� escondido.
Queria dormir e meus olhos est�o esbraseados. Meus olhos e meu peito. Cheios. Cinzas de lembran�as que caberiam at� na casca de uma noz.
Estamos nos afastando cada vez mais do planeta harmonia e nos aproximando de outro planeta.
N�o. N�o estamos nos aproximando, n�s somos esse planeta.
A dor era real ou s� mem�ria da dor? Os sons foram ficando mais violentos. As goteiras. Ou j� seriam l�grimas? Um choro esguichando por entre os dentes travados na obsess�o do sil�ncio. Os solu�os diminuiam.
Apanhou o disco que estava em primeiro lugar na prateleira - Bach. Seria o fio-guia da nossa noite desprotegida. Desprotegida, mas poderosa com seu imperme�vel preto e sua solid�o. Sentia que uma tempestade estava por vir. E a pr�pria estava se armando l� fora ....


dimanche, juin 16, 2002
 
A lembran�a era como uma fina camada de poeira ...


#Escutando Chico Buarque - O que ser� que ser�.mp3
 
O dia recome�a.
Concentro-me olhando para dentro de mim para ver o que restava nesse dentro...
vendredi, juin 14, 2002
 
"Amar. Fechei os olhos para n�o te ver e a minha boca para n�o dizer.
E dos meus olhos fechados desceram l�grimas que eu n�o enxuguei e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas.
O amor � quando a gente mora um no outro. "
M�rio Quintana.

#Escutando Garbage - Nobody Loves You.mp3
 
O pote est� vazio.

(Chega de longos textos... sussurrarei por hora, palavras desconexas apenas.)

#Escutando Garbage - I'm only Happy when It rains.mp3

 
Que boca h� de roer o tempo?

Que rosto h� de chegar depois do meu?

#Escutando Blues Et�licos - no way.mp3
 
H� um tempo para tudo na vida, uma para construir e outro para que o vento quebre a vidra�a solta...

mercredi, juin 12, 2002
 
Beija esse ombro, me toma pela cintura e colado ao meu corpo ele vai me levando.
Minhas pernas v�o vergando submissas, escorregadias.
Aperto o meu peito inquieta com a palma da m�o.
As batidas do meu cora��o ficam mais fortes.
N�o consigo falar, inundada de um gozo t�o profundo que em meio ao tumulto de toques fui tomada por um sentimento de paz.
Nossas m�os se buscam e se entrela�am ao longo dos corpos num aperto forte.
E de novo sua voz e os meus solu�os explodindo sem motivo se confundem.
Desencontradas as falas, mas os corpos se encontrando e se ajustando.
As vozes h� pouco fechadas v�o saindo das suas cascas e ficam mais quentes. Livres.
Aspiro o perfurme que me toma inteira.
O som suav�ssimo e o vinho que tomamos me fazem girar levemente.
Desato a rir da minha dan�a quase im�vel.

As batidas no meu cora��o se aceleram quase insuport�veis.
Um grito.


#Escutando Placebo - Every Me Every You.mp3
 
- Voc� est� dormindo?
Abro os olhos.
Os cabelos tempestuosos arrepanhados em madeixas.
Suas m�os s�o �speras e quentes.
Eu n�o devia olh�-lo desta forma.
Mas seu sorriso jovem me encanta.
Esfriou um pouco.
O sol est� se apagando.
- Est� com frio?
Rio o riso raro.
- N�o, meu querido.
As coisas boas, as coisas lindas...
N�o esque�o.
Quero parar e n�o posso..
J� fui mordida.
Fujo arrastando os sapatos de ferro, o cora��o de ferro.
Horror, horror.
Fico envergonhada.
Ele come�a a falar.
- Desculpe-me interromp�-lo, meu querido, mas quero tomar um banho.
Entre na minha banheira e esque�a, use os meus sais, penso.
Eram belos os gestos secretos.
As palavras secretas.
Seus grandes olhos verdes percorrem meu corpo.
�s vezes me observa com ar cerimonioso.
S� ele v� a menina antiga sentada no sof�.
A menina de vestido de tafet�.
Menina com gestos de uma menina que gosta de mostrar que � bem-educada.
Arruma ajuizadamente a saia para que n�o a notassem.
Ele desliza para a poltrona ao lado com a express�o complacente que t�m as crian�as diante das extravag�ncias dos adultos.
Fico paralisada, olhando.
Quando consego me mover, desato a correr dando voltas e voltas, tomada de tamanha alegria e s� paro para cham�-lo com miados que mais tarde se estenderiam pela noite estrelada.
Ele sorri.
A esperan�a de rev�-lo nos dias que se seguiram quase me enlouquecia.
N�o ia conseguir dormir mais.
Nunca mais.
Quando ele n�o est�, observo a porta como se esperasse algu�m.
Ansiosa.
Mas agora, estamos aqui.
Juntos.
Nada importa.
Tomo meu banho e saio ainda enrolada na toalha.
Ele estende a m�o naquele gesto habitual de me afagar.
Coloco-me ao seu alcance tomada de um surpreendente desespero.
Esfrego a cabe�a na sua m�o.
Onde ele estivera antes de me chegar assim t�o doce?
Pulo para seu colo.
Ele abre os bra�os
Continuo a procur�-lo mas agora com disfar�ada ansiedade.
Por dentro me eri�ava inteira.
Tremendo na expectativa.
Infiltro-me por entre suas pernas.
Estendo-me no ch�o.
Minha vis�o fica cada vez mais entorpecida.
Quando me levanto, ele j� desaparecera..
Procuro depressa e furtivamente seu corpo.
Volto e fico parada.
Ele me beija.
Guardo seu �ltimo gole na boca.
Dormimos.

#Escutando The Cardigans - My Favorite Game.mp3


mardi, juin 11, 2002
 

Feliz ou infeliz, mas apaixonados.
E o paradeiro de um apaixonado � o do imprevisto.
Quem no mundo poder� encontr�-los se cismam de se esconder?
Embora n�o tivessem deixado nenhuma explica��o falada ou escrita.
Embora n�o haja nenhuma pista de sua rota.
Embora n�o levassem bagagem.
Embora, embora.
Eles viviam o presente!
Tantas andan�as.
Tantas conversas.
Tantos momentos.
O n� se desatava com a naturalidade de um raio de sol varando a escurid�o.
O que era escuro fica claro at� que o claro volta a escurecer de novo.
Paci�ncia.

#Escutando Armik - Lovers in Madrid.mp3

 
Uma casa cheia.
E vazia.
Tudo no mesmo lugar que ele deixou.
Os objetos na estante vazada.
Os livros fechados como se nunca tivessem sido abertos.
Os cds.
Olho mais atentamente para o div� com sua manta vermelha t�o esticada que dava a impress�o de nunca ter recebido um corpo na sua superf�cie felpuda.
As almofadas jogadas na cama.
Abro a gaveta da mesa de cabeceira, as fotos.
Nossas fotos.
As miudezas.
O estojo com suas canetas.
Chicletes.
O cinzeiro limpo.
O abajur apagado.
Fecho a gaveta.
Tudo era vivo.
Tudo continuava vivo.
Mas vazio.
Ele prosseguia vivendo.
Enquanto eu ia virando lembran�a.

#Escutando Madonna - The Power of Goodbye.mp3
 


- Ei, voc�!
- Eu?
Sorrio.
- �, voc� mesma.
- ahm?
- Me deixa entrar.
- Entrar?
- Entrar, oras.
- Entrar aonde?
- Ei, n�o pense bobagens.
- N�o estou pensando nada.
- Sei..
- Nos conhecemos?
- N�o, voc� nunca me deixou entrar.
- Aonde voc� quer entrar?
Ele se aproxima e segura as minhas m�os.
- N�o quero apenas entrar, quero ser.
- Como assim? Ser o que?
- Quero que sejamos um s�.
Balan�o negativamente a cabe�a.
- Eu sou eu e voc� � voc�. � imposs�vel sermos um s�.
- N�o. Se voc� me deixar entrar no seu cora��o, seremos um s�.
Aquele antigo amigo parecia agora um desconhecido. Olhando nos meus olhos e sem largar minhas m�os, ele continua.
- Quer?
- N�o estou certa. Receio me perder.
- Se perder?
- Sim, me perder de mim.
- Voc� sabe quem voc� �?
- Bem, n�o...
- Ent�o como tem medo de perder o que desconhece?
- Eu sequer existo!
- Existe sim. Voc� � o meu sonho.
Achava que era meu corpo que seus olhos desejavam, mas era sentir minha alma que seu �ntimo queria.
De olhos fechado, tento n�o deixar um sorriso nascer no meu rosto.
- Quero algu�m que acabe com todas as minhas possibilidades de fuga.
- Meu sonho, deixe-me ser sua realidade e n�o ter�s motivo para fugir. Mas para estar.
Tive medo de ter minha alma desfeita. De querer sem querer.
E sem querer, querer.
Das certezas.
Da d�vida.
Resolvi matar o suspiro.
Sufocar o sorriso.
Largar aquelas m�os.
Fugir daqueles olhos.
N�o escutar essas palavras.
Deitar.
Dormir.
E acordar de novo.



#Escutando Jewel - Hands.mp3





lundi, juin 10, 2002
 
Blog da minha amiga Gra

L� tem uns links para outros blogs bem legais :)
 
Sigo atr�s do caminho que j� conhe�o atrav�s de um furo no tempo.
Olho por este furo e vejo grandes �rvores
Um rio..
Mergulho.
Ou�o com alegria o ru�do de minhas bra�adas.
Sou levada pela correnteza.
Despida de quaisquer pensamentos.
Livre.
Digo adeus a voc�.
Tenho a fugidia vis�o do seu corpo antes de se perder no meu.
O reflexo m�vel da sua boca.
Recuo.
N�o quero perder seu cheiro.
Meus dedos atravessam as imagens.
Tento te alcan�ar.
N�o me abandone!
Os corpos porosos dos amantes t�o inconsistentes como as nuvens.
As cores escorrem como um papel mergulhado na �gua.
Escorremos.
A luz do sol atinge violentamente meus olhos.
Percebo-me cega.
O sol continua igual ao sol daquela pra�a.
A lua � a mesma que vi com os antigos olhos de amante?
Esses olhos de agora,
Olhos humanos,
percebem manchas.
Manchas que n�o s�o pardas
Mas sanguinolentas.
A lua verte sangue.
Rasgada pela saudade.
Certamente corriam outras �guas no rio onde nadei.
Mas eu seria a mesma?
Chega a noite.
Noite escur�ssima.
Nua em meio trevas.
Mergulhada at� o pesco�o a �gua gelada.
Gelada como eu, agora sem seu calor.
Come�o ent�o a chorar.
L�grimas t�o ardentes que aos poucos foram derretendo o gelo.
Varando a superf�cie dura.
A crosta se fez em peda�os.
Posso me libertar agora.
Tenho que me salvar do meu pr�prio pranto.
Aquecida.



 
A campainha do telefone come�a, e se for ele?
N�o tenho nada com isso, digo a mim mesma.
E sei que tenho.
Vou de cabe�a baixa at� o quarto.
Sento em cima do seu pul�ver embolado no ch�o.
Fecho os olhos como se isso pudesse fazer o telefone parar.
Uma pausa.
Um sil�ncio.
Parou.
A campainha recome�a.
Olho para dentro de mim mesma para ver o que restava nesse dentro.
� tarde, fico repetindo.
� TARDE!
Dou � frase uma inten��o dram�tica.
Onde est� o tempo, est� o drama.
Odeio mentirosos.
Estou repetindo tudo, j� sei mas deixa eu repetir e repetir.
Ele se recusava ao jogo do faz-de-conta
Mas quando n�o restou mais nada, me ajudou a continuar jogando.
Acho que me cansava menos quando estava representando.
O Cd continua tocando.
Aquele jazz que ele adorava ainda n�o terminou.
Preciso de voc� para ver melhor nas minhas fraquezas
Aceitei ser seu espelho deformante mas nele me via perfeita.
Embora me agredisse �s vezes, era esse espelho que alimentava a minha f�.
Quando ele foi embora, acabei me vendo em estilha�os.
Cacos.
Restos.
Perdi meu p�blico!
O telefone parou.
Definitivamente.
Estou chorando e rezando.
Passou a indigna��o.
N�o quero ser inteligente nem nada.
Quero ser uma quase idiota, cheia de candura.
S� quero acreditar.
H� mais de 2 meses que eu n�o pisava no palco.
A ociosidade tamb�m � cansativa.
Estou cansada.
A praia.
Lembrei dele tocando meu queixo e levantando meus �culos escuros.
Est�vamos nos oferencendo ao sol.
Eu me oferecia a ele.
Essa vontade de se mostrar � uma coisa que eu n�o entendo.
A servid�o da mulher.
Eu n�o sou inferior nem superior.
Sou louca.
Ser� que existe um amor que abrasa assim?
nego tanto este amor e negando estou me negando tamb�m.
Fico t�o detest�vel.
N�o sei como ele me suportava.
Toca o telefone de novo.
Desisto
Vou acabar com tudo.
Levanto e caminho em sua dire��o.
Tento sentir de onde o seu som vem.
Malditos telefones sem fio.
Acho-o e atendo.
Engano.



vendredi, juin 07, 2002
 

Aproximei-me e por um brev�ssimo instante nossos olhos se encontraram. Nunca mais encontraria em gente ou bicho olhar igual.
Algumas coisas devem ficar na obscuridade, � melhor n�o levantar o pano.
Tantos planos, tantos sonhos ... a d�vida me rasgava, me amava como uma gato rasga um rato.
E eu aqui gritando e gritando, Quero de volta a minha paz!
Eu n�o devia ter notado o seu olhar.
A pausa n�o acabava.
Est�vamos presos naquele instante.
Fechou o livros.
Olho para minhas m�os. Cruzadas. Cerradas.
Fito seu rosto, seu pesco�o.
Pude ver as veias matrizes descendo como rios sinuosos se aliviando nos afluentes.
Sentiu que estava sendo observado.
Resolvo sair deste sil�ncio.
Fico de costas procurando algo que me chame aten��o naquelas estantes, mas s� lembro daqueles olhos, daquelas veias e dos gritos dentro de mim.
Gritos aprisionados. Gritos que deveriam ser gritados.
Ou silenciados?
A gente precisa parar tudo �s vezes, at� pensamentos, palavras ou obras.
Estou com medo.
Visivelmente est�vamos presos naquele instante.
Presos nos nossos olhares.
O cheiro do medo � de am�ndoas amargas.
No medo, as evas�es, tantas.
Ele n�o pronuncia nenhuma palavra.
Estou s�, fechada
� preciso �s vezes ficar sem a��o, esperando.
O qu�?
Sem se aproximar muito j� pude sentir sua presen�a.
Como a morte, estancou todos os cheiros.
Olhei para o lustre com suas l�mpadas fort�ssimas, todas acesas.
A �nsia travando o meu peito, o olho inundado.
Esbocei uma palavra.
Olhando para os meus olhos.
De novo aquele olhar.
Ele fez um sinal com o dedo, que eu me calasse.
O sangue j� engrossava feito lava de vulc�o na f�ria alastrante.
Escurid�o.




 
Opacidade.
Quietude.
Essa alegira.
Suspiro.
Onde estava a transgress�o se n�s nos pertenc�amos?
Pertencia e n�o pertencia, pensei.
Solto meus cabelos e recosto a nuca no seu ombro.
Volto para o teto o olhar atento.
A respira��o ficou acelerada.
Curta.
Coloquei uma m�sica, um tango.
Sempre precisei de m�sica para pensar nos problemas.
A interroga��o, contrastando com a letra ordeira, tombava (desgarrada) no branco final da p�gina.
Perten�o ou n�o perten�o? continuei pensando
Meus olhos percorriam distraidamente os livros em cima da mesa.
Volto para dentro de mim mesma.
N�o me lembro do medo, s� do amor.
Um amor sem di�logo, foi o bastante?
Foi breve.

#Escutando Carlos Gardel - Por Una Cabeza.mp3
 


Mas s� tu e eu sabemos que te abandonei porque eras a possibilidade constante do crime que eu nunca tinha cometido. O amor.
A mudez era a minha �ltima palavra.

 
Rabiscos

Frases desconexas

Pensamentos voadores

Palavras assassinas

As apar�ncias n�o enganam.

#Escutando Mazzy Star - Fade into you.mp3
 


...I left my soul there,
Down by the sea
I lost control here
Living free ...

A cool breeze flows but mind the wasp
Some get stung it's worth the cost
I'd love to stay
The city calls me home
More hassles fuss and lies on the phone ...




#Escutando Morcheeba - The Sea.mp3

 

A lembran�a � o quadro que d�i mais.

#Escutando My Bloody Valentine - Moon song.mp3

 


Sou uma pessoa viva e pulsante que tenta colocar em palavras um mundo desconhecido
Sou uma pessoa que se satisfaz cada vez que consegue dizer uma frase que toque uma outra pessoa
Sou assim, uma pessoa que tenta dizer algo sobre a vida humana
Sou uma pessoa que poucas vezes se percebe ... tenho uma pessoa que vive escondida em mim.
Uma outra pessoa que vem sempre me tentar ...
Ela vive escondida e aparece quando quer
Eu devia tentar encontr�-la e entend�-la
Mas nunca me lembro de organizar minha alma em palavras ...
Talvez seja medo
De n�o me reconhecer ou de descobrir que na verdade n�o h� alma
N�o h� essa pessoa dentro de mim
Descobrir que eu sou toda
Sou essas duas pessoas
Somos a mesma pessoa
Sou uma pessoa perdida dentro de mim
Uma pessoa que n�o sabia para onde ia
Nem sabia o que ia lhe acontecer
E isso me colocava no pr�prio cora��o da liberdade.

#Escutando Elis Regina - Como os Nossos Pais.mp3



jeudi, juin 06, 2002
 
"Poucos querem o amor, porque o amor � a grande desilus�o de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilus�es. H� os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecer� a vida pessoal. � o contr�rio: amor � finalmente a pobreza. Amor � n�o ter. Inclusive amor � a desilus�o do que se pensava que era amor. E n�o pr�mio, por isso n�o se envaidece, amor n�o � pr�mio, � uma condi��o concedida exclusivamente para aqueles que, sem eles, corromperiam."

Clarice Lispector

#Escutando The Corrs - The best of - Only When I Sleep.mp3
 
Um certo modo de olhar, um jeito de dar a m�o. N�s nos reconhecemos e a isto chamamos de amor. E � desnecess�rio disfarce, n�o h� porque se esconder: embora n�o se fale, tamb�m n�o se mente, embora n�o se fale a verdade, n�o � preciso dissimular tamb�m. Amor � quando � concedido participar um pouco mais.

#The Divinyls - I Touch Myself.mp3
 
Eu me ocupava com medo em esperar; sem falar que estava permanentemente ocupada em querer e n�o querer ser o que eu era, n�o me decidia por qual de mim .... toda eu � que n�o podia; ter nascido era cheio de erros a corrigir

#Escutando The Cardigans - Do You Believe.mp3
 
Que n�o sente ci�mes n�o ama?

Sempre havia uma pe�a de Shakespeare para eu n�o me sentir normal: primeiro Romeu e Julieta querendo que eu morresse de amor e depois Othelo querendo que eu matasse meu amor por ci�mes!
Descubro com o passar do tempo, n�o ser vergonha nem humilha��o alguma n�o viver de forma machista, n�o querer morrer de amor e nem precisar enlouquecer e matar meu objeto de amor de tanto ci�me. Come�o a me sentir capaz de sofrer toda dor poss�vel no amor sem envolver morte nisso. Sentindo a dor do ��me sem precisar perder a raz�o nem destruir a mim e aos outros. Preparo-me para me defender dos riscos de aprisionar o amor, e n�o dos riscos do PR�PRIO amor. Isto significa que aprendera ser a liberdade o que se perde ou o que n�o se tem mais no amor quando ele acaba ou fica amea�ado,
Posso sentir ci�me � vontade sem tirar a liberdade de ningu�m, porque desejo ter essa liberdade de gozar e de sofrer o meu amor como bem entender ou precisar.
O dif�cil � conseguir, antes que seja tarde, guardar s� para mim a dor do ci�me e n�o us�-la como instrumento para ferir quem, no exerc�cio de sua liberdade, preferiu, ao meu, outro tipo de amor.
Quem consegue amor atrav�s do ci�me, do controle e da domina��o da vida e dos sentimentos do parceiro, na realidade, nada consegue.
mardi, juin 04, 2002
 

Se eu te fa�o unicamente o meu
e tu o teu
corremos o risco de perdermos
um ao outro e a n�s mesmos
N�o estou neste mundo para
preencher tuas expectativas
Mas estou no mundo para me
confirmar a ti
Como um ser humano �nico para
ser confirmado por ti
Somos plenamente n�s mesmos
somente em rela��o um ao outro
Eu n�o te encontro por acaso
te encontro mediante uma vida
atenta
em lugar de permitir que as coisas
me aconte�am passivamente
Posso agir intencionalmente para
que aconte�am
Devo come�ar comigo mesmo,
verdade,
mas n�o devo terminar a�:
a verdade come�a a dois.
Eu fa�o as minhas coisas
e voc� faz as suas
N�o estou neste mundo
para satisfazer as suas expectativas
e voc� n�o est� neste mundo
para viver conforme as minhas
Voc� � voc�
Eu sou eu
E se por acaso nos encontrarmos
ser� maravilhoso
E se n�o,
n�o h� nada a fazer.


#Escutando Chico Buarque e Edu Lobo - Beatriz (Milton Nascimento).mp3

 


� o amor, n�o a vida, o contr�rio da morte.
 

Sua sombra est� aqui sobre a mesa.
E inexplicavelmente, o sol nascente
vai apagando a minha l�mpada
e n�o a sua sombra
os seus gestos
o seu cheiro
o seu sabor
a sua voz tr�mula.
Eu sei que voc� est� aqui.
Voc� nunca me deixou, nunca.
Tenho voc� dentro de mim,
bem no fundo, no sangue.
Voc� corre em minhas veias,
voc� passa por meu cora��o
e se purifica em meus pulm�es.
Me sufoca
Eu te amo
Eu te sinto
Eu te vivo.

#Escutando The Verve - Bitter Sweet Symphony.mp3

 
Trecho de uma can��o de Ana Terra e Danilo Caymi:

Se um dia voc� for embora
n�o pense em mim
que eu n�o te quero meu
eu te quero seu

Se um dia voc� for embora
v� lentamente como a noite
que amanhece sem que a gente saiba
exatamente
como aconteceu.

#Escutando Astor Piazzola - Le Grand Tango.mp3

 
S� conhe�o dois caminhos,
os mesmos que aprendi quando menina.
Num, o cora��o se abre verdadeiro
desmanchando em m�goas,
l�grimas e tristezas de amor.
Noutro, sobreviver � imperativo
e a raiva alimenta a vida.
A primeira alternativa
me descobre vulner�vel e nua,
me mata.
A segunda me consome
a do�ura e o prazer,
morro.
E como, at� hoje, me deparo
na mesma encruzilhada,
escolho a vida.

 
O seu amor
Ame-o e deixe-o
livre para amar

O seu amor
ame-o e deixe-o
ir aonde quiser

O seu amor
Ame-o e deixe-o
brincar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
correr
O seu amor
Ame-o e deixe-o
cansar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
dormir em paz

O seu amor
Ame-o e deixe-o
ser o que ele �.









 
- Proteger como?
- Com o teu amor.
- Meu amor?
- O teu amor por mim ... o teu amor pelo meu amor por voc�!

Nos olh�vamos de frente, tensos os dois. Eu estava perplexa e indignada. Amor? Amor por um menino? Amor de m�e? Amor de amigo? Amor de irm�os? Amor de amante? Eu pensava e exprimia as interroga��es em palavras orais. Ele n�o respondeu nenhuma.

- Por que voc� n�o responde?
- Porque eu n�o sei, porque eu n�o quero nenhum desses tipos de amor de que voc� falou!
- E o que voc� quer, ent�o?
- Esse a� ...
E tocou meu peito com a ponta do dedo. Relaxou a tens�o dele. Sorriu e continuou tocando meu peito com a ponta do dedo.
- Todo esse a� ...

 
Sacia essa tua sede
nos bra�os do sil�ncio dessa vaga lembran�a que me tornei..
Lembran�as e lugares e vozes e sons e sonhos

Dessa boca que te chama..
N�o precisas ter receio
Pois teu cheiro perpetuou-se no meu corpo
N�o vais me estranhar..

Deixa teu corpo afogar-se
e destilar os teus medos secretos
e pulverizar teus pesadelos na brisa...

Sabores nobres, salpicados de desejo
Um suspiro c�tico, mas de prazer
Olhos fechados pela exaust�o.
S�o sil�ncios breves que invadem a alma
Todas as frases ficaram por falar.


*suspiro*






dimanche, juin 02, 2002
 
RAZ�O DE SER

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ningu�m tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas l� no c�u
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que v�.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por qu�?

Leminski

#Escutando Madonna - Don't tell me.mp3
 
Escrever � tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? assim: como se lembrasse. Com um esfor�o de "mem�ria" como se eu nunca tivesse nascido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro e a lembran�a � em carne viva.

Clarice Lispector

fonte:

"Clarice - uma vida que se conta" de N�dia Battella Gotlib
Editora �tica

#Escutando Luscious Jackson - Under Your Skin.mp3


samedi, juin 01, 2002
 
"Uma das maiores b�n��os do mundo, creio eu, � a incapacidade que tem a mente humana de correlacionar todos os seus conhecimentos. Vivemos numa pl�cida ilha de ignor�ncia, em meio a negros mares de infinitude, e o Criador n�o pretendeu que viaj�ssemos at� muito longe. As ci�ncias, cada qual se esfor�ando em sua pr�pria dire��o, at� agora causaram-nos pouco dano; mas algum dia, a concatena��o de conhecimentos dissociados h� de descortinar panoramas t�o terrificantes da realidade, e de nossa pavorosa posi��o nela, que ou a revela��o nos enlouquecer� ou fugiremos da luz fatal para a paz e a seguran�a de uma nova Idade das Trevas."
H. P. Lovecraft

 
Devo estar muito desocupada mesmo, estou escrevendo muito para esse blog. Isso me lembra meus di�rios. Acho que cheguei a ter 3 di�rios ... cheios de poeminhas e frases bonitinhas. Sempre gostei de escrever, acho que assim me sinto menos s�, parece que algu�m entende o que sinto e como boa capricorniana, gosto de ler depois o que escrevi para entender o que sentia e ver se havia alguma l�gica. Hoje o dia est� lindo, mas estou sem muita vontade de sair de casa. Pregui�a mesmo. Mas vou lutar contra ela, hoje � s�bado, oras.


"Saudade � um pouco como fome.
S� passa quando se come a presen�a.
Mas �s vezes a saudade � t�o profunda
que a presen�a � pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unifica��o inteira
� um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida. "
(Clarice Lispector)

#Escutando Natalie Imbruglia - Identify.mp3
 
Livro de Leitura


O mais singular livro dos livros
� o Livro do Amor;
Li-o com toda a aten��o:
Poucas folhas de alegrias,
De dores cadernos inteiros.
Apartamento faz uma se��o.
Reencontro! um breve cap�tulo,
Fragment�rio. Volumes de m�goas
Alongados de coment�rios,
Infinitos, sem medida.
� Nisami! � mas no fim
Achaste o justo caminho;
O insol�vel, quem o resolve?
Os amantes que tornam a encontrar-se.

Goethe


 



you're american beauty. you're full of hope and appreciate the beautiful things in life.

take the which prettie movie are you? quiz, a product of the slinkstercool community.


 

 
http://www.diplo.com.br/
 


Vale a pena conferir o Le Monde Diplomatique, ou "Dipl�".
 
Um poema:

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdi��o da minha vida!
Perdi��o da vida minha!
Tenho fases de ser sua.
tenho outras de ser sozinha.


Fases que v�o e que v�m,
no secreto calend�rio
que um astr�logo arbitr�rio
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu intermin�vel fuso!
N�o me encontro com ningu�m
(tenho fases, como a lua...)
No dia de algu�m ser meu
n�o � dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cec�lia Meireles



 
Falta sempre uma frase, uma palavra, um toque. No fundo, eu queria ficar calada, h� coisas que nunca escreverei e morrerei sem t�-las escrito. H� um grande sil�ncio dentro de mim.

#Escutando Mazzy Star - Be My Angel.mp3
 
Quando estou "quase", olho-me no espelho com tanta dureza e com tanta no��o de presente, passado, espa�o e tempo, que me envergonho...

 
Quem nunca foi roubado n�o vai me entender. Minha mente n�o estava mais em mim mesma, caminhava ao seu lado. Mas ainda n�o chorei, contrariando meus progn�sticos ...

#Escutando Fiona Apple - Use Me.mp3
 
Em alguma outra vida, fizemos algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade...


#Escutando Nara Le�o - Sabe Voc�.mp3

(Que contraste n�o?! :P )

 
I am the new
For reasons I can never explain
I speak the truth
I put an end to all your pain ...

#Escutando Morcheeba - Shoulder holster.mp3


 
Inicio com uma frase que n�o � de minha autoria, uma vez que nem sei bem o que escrever ...

"...e falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase. E a vida d�i quanto mais se goza e quanto mais se inventa"

Fernando Pessoa


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